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Você é o que suas memórias dizem ser.

27 janeiro 2017
Somos um tanto instantes, passageiros, cadentes. O que fica é quase nada, às vezes, um indício de tudo. Talvez, então, a gente englobe esse tudo na solidão. Tem quem prefira o vazio. Eu me conformo com o silêncio das coisas. O infinito que nos liga estende a mão pro desconhecido.
Se me permite, é com toda a minha sinceridade que assumo que sinto mesmo é falta de mim mesma, de como eu não sabia as coisas que sei, quando eu não precisava me preocupar se estou me tornando alguém melhor, porque eu simplesmente me tornava, pensava menos e vivia mais. Eu não me contorceria toda para entrar num rótulo minúsculo, nem hesitaria em me mostrar inteira ao universo, seria mais grata e menos compreendida, na mesma medida.

Eu não sei quem sou, mas naquela época eu também não sabia, a diferença é que estava tudo bem não saber, hoje o "não saber" se tornou um empecilho até mesmo para que eu saiba. É difícil viver com manual de instruções, onde até os seus possíveis sonhos estão mapeados, esmiuçados, perdendo todo o colorido de serem únicos e pessoais. Há momentos em que tudo precisa ser dito, mostrado, mas ás vezes, tudo o que a gente quer mesmo é sair do piloto automático, abandonar o barco, fechar os olhos, girar, girar, girar até perder a noção de tudo e abrir os olhos com aquela sensação de que está pronta para sentir de tudo o que estiver ali naquele momento, porque não se agarrou e nem ficou no momento passado, você está ali inteira pronta para viver quem é, sem roteiro ou armadilha.

E essa preocupação massacrante de "Pra onde vamos?"? Não sei, e como poderia? Você ao menos sabe onde está? Falar em nomes, ruas e conceitos é fácil! Quero ver é saber em que tempo interior esse momento está se passando. Se o caminhar de um estranho na Avenida Paulista te faz lembrar do caminhar da sua avó no piso da casa no interior, onde você passava as férias... Se você ao menos está fazendo memórias. São elas que nos salvam. Acredito que elas é quem determinam para onde realmente vamos, se é que vamos... Pois são elas também que ficam, pois são compartilhadas, são sentidas a dois, a três... Você pode até desaparecer fisicamente, mas o que você viveu não some assim... Sempre vai ter alguém para contar sobre você, suas histórias, sempre vai ter um fragmento de lembrança de alguém que esbarrou contigo.

Sinto falta de brincar com esses meus fragmentos, sinto falta de imaginar com eles vidas paralelas, onde a personagem principal ainda sou eu, e finalmente perceber que não são vidas paralelas, são momentos que estão por vir, e que só depende de mim, ser quem eu sou, e não quem eu estipulei ser. Espero que eu reaprenda a dar a mim mesma a liberdade de viver por meus próprios pés, assumindo os riscos de ser quem sou, assim como fazia quando eu era uma menininha que nem sabia falar meu nome direito.

1 Comentário

  1. Que texto mais lindo e profundo haha..
    Bjs *-*
    http://freemodernage.blogspot.com.br/

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